BOLSONARO TERÁ QUE OPTAR ENTRE O BRASIL E OS CHICAGO BOYS

LEONARDO ATTUCH

Jair Bolsonaro apanha mais que boi ladrão na manhã deste sábado 13. O curioso é que apanha porque tomou a primeira decisão correta do seu desgoverno, que foi a de segurar os preços do diesel.

O editorial do Estado de S. Paulo afirma que ele “invadiu a Petrobrás”, como se a empresa (que é um monopólio estatal) fosse uma vaca sagrada, privatizada e intocável, que pudesse impor qualquer preço à sociedade.

O editorial da Folha fala em “ecos de Dilma”, como se a intervenção fosse “populismo”. Com Dilma, os reajustes eram trimestrais, para cima ou para baixo, para evitar repassar à sociedade choques temporários de preços.

No Globo, Miriam Leitão diz que Bolsonaro acabou com a liberdade da Petrobrás, como se os preços dos combustíveis, que afetam toda a economia, pudessem ser tratados como os de um carrinho de pipoca.

Na prática, Bolsonaro é prisioneiro de um mito criado na campanha: a ideia do mito neoliberal que repassaria todas as decisões econômicas ao Posto Ipiranga, que ontem disse não ter sido informado sobre a intervenção na Petrobrás.

Agora, o “mito” se vê numa encalacrada: se ceder aos Chicago Boys, enterra ainda mais a economia, com mais inflação, que já disparou, menos crescimento e uma nova greve dos caminhoneiros. Se fizer a coisa certa, ganha o carimbo de Dilma.

Fonte 247

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