ENTREVISTA: ‘EM ESTADO DE EXCEÇÃO, VALE A LÓGICA DA GUERRA DA COMUNICAÇÃO’, DIZ LETÍCIA CESARINO SOBRE VÍDEO DA MAÇONARIA

NAS REDES SOCIAIS, só se fala em uma coisa nos últimos dias: o vídeo do candidato à reeleição Jair Bolsonaro discursando para maçons. A gravação é provavelmente anterior a 2018, já que Bolsonaro afirma “não estar candidato a nada”. Mas a cena pegou em cheio uma parcela de cristãos que apoiam o presidente. Para os católicos, a maçonaria não é compatível com sua fé. E, para os evangélicos, remete ao satanismo.

Após o discurso correr nas redes e nos grupos de mensagens, apareceram outras fotos de Bolsonaro e aliados, como o vice Hamilton Mourão, em ambientes com símbolos típicos da maçonaria. Surgiram também várias fake news sobre a relação de Bolsonaro com a instituição, que tem viés filosófico e religioso, e de um suposto pacto com o satanismo. A direita parece ter sentido o golpe. Chegou até a lançar mão de algo até então muito criticado: a checagem de conteúdo por meio de veículos de imprensa.

Ainda é cedo para mensurar o impacto dessa viralização ao longo do segundo turno – e se a esquerda apostará na estratégia de usar as chamadas pautas morais de modo sensacionalista para entrar na bolha evangélica tão dominada pelos bolsonaristas. Não faltam opiniões favoráveis e contrárias ao uso do vídeo como instrumento de campanha. Críticos dizem, por exemplo, que a estratégia mimetiza o pior do bolsonarismo e pode promover intolerância religiosa (apesar de a maçonaria não ser uma religião).

Mas Letícia Cesarino, professora de antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina e autora do livro “O mundo do avesso: política e verdade na era digital”, vê com otimismo a repercussão do vídeo. Em entrevista ao Intercept, ela analisa o impacto da gravação e a forma como o tema chegou às redes bolsonaristas que ela monitora.

“A gente chegou num ponto em que a política para o bolsonarismo é um total estado de exceção. Eles não têm limite, não seguem as regras. Então, como chegar nessa população que já foi tragada pelos públicos dele, que só recebe informação a partir desses grupos, como é o caso de boa parte dos segmentos evangélicos?”, questionou. “Não vejo outro jeito de furar essa fronteira. Em estado de exceção, infelizmente, o que vale é lógica de guerra. No caso, obviamente, uma guerra comunicacional”.

Veja entrevista na Íntegra:

Do The Intercept Brasil